São José da Ventania, Minas Gerais

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MACHAMANJARO

A convite do jornal Gazeta do Vale, do sul de Minas Gerais, escrevi um texto para o aniversário de Paraisópolis, que é uma das cidades com cobertura e circulação desse periódico e é minha terra natal. No entanto, o texto não foi publicado. De qualquer forma, assim como já iria fazer – mas sem essa nota introdutória –, publico-o aqui no São Jornal da Ventanews.



MACHAMANJARO
 

Dois Andalaquintais

Não me considero a pessoa ideal para escrever um texto para o aniversário de Paraisópolis. Apesar de paraisopolense, não amo Paraisópolis, apenas gosto. E algo de que gosto muito – as palavras – me faz sempre não gostar tanto de Paraisópolis – chamar qualquer lugar de Paraíso (Paraisópolis = cidade-paraíso), no estágio de nosso planeta, é uma pretensão (pra não dizer propaganda) enganosa.
Mesmo assim, essa é a segunda vez em que recebo um convite para escrever algo para o aniversário de Paraisópolis. A primeira foi há cerca de 10 anos. Quem me vê escrevendo assim – a primeira foi há cerca de 10 anos – e não me conhece imagina que eu seja um senhor. E por falar em idade, eu não sei quantos anos Paraisópolis está celebrando, e duvido que mais de 10% da população (isso sendo otimista) saiba disso agora ou soubesse antes de ter contato, por esses dias, com qualquer fonte dizendo a respeito.
Apesar de não ter em mãos esse primeiro texto, tenho em mente, perfeitamente, o que escrevi naquela ocasião. O pontapé inicial para o meu texto foi a pergunta Que presente você daria para Paraisópolis?, e eu escrevi sobre moinhos de vento produzindo energia eólica, citando como exemplo o Deserto de Mojave, baseando-me na, então, viagem de dois dos meus irmãos. É verdade que, aproveitando a viagem deles, eu viajei no texto. Para hoje, vou aproveitar a minha própria viagem, em dose dupla, com e sem aspas.
Vivendo na cidade do Monte Kilimanjaro, desenvolvi um argumento para brincar com as abordagens de nativos tentando me seduzir para subir essa que é a montanha mais alta da África: “Meu amigo, você não sabe de onde eu vim. Sou da cidade brasileira que tem a montanha mais alta das Américas, o Machadão. E vim aqui para comprovar que o seu Kilimanjaro é nada perto do meu Machadão. E, só de vê-lo daqui, não preciso de mais nenhuma comprovação, sequer subi-lo, pois já vi o que eu queria: a nossa pedra acima das suas neves.”. E, assim, terminava a abordagem. E, assim, termina o texto: aproveitando a geografia (ventos e montanhas) e viajando-viajando.



/-\|\||)/-\|_/-\(,)|_|||\/| ANDRÉ



__________

fotos
“macha”
23 de janeiro de 2011
Brasil, Minas Gerais, Paraisópolis, Pico do Machadão (à esquerda) e sua montanha vizinha, da qual eu nunca soube o nome, embora ela sempre me encantou e me encanta mais do que o Machadão
© andandaz®
“manjaro”
06 de abril de 2011
África, Tanzânia, região Kilimanjaro, distrito Moshi Vijijini, Monte Kilimanjaro (à esquerda) e seu monte vizinho, cujo nome eu sempre confundo
© andandaz®

foto-montagem
07 de abril de 2011
© andandaz®


¤