São José da Ventania, Minas Gerais

domingo, 9 de maio de 2010

PRAIA PARAÍSO

Do som dos ventos ao som das ondas

Quando o assunto é praia, a primeira opção para os paraisopolenses é, geralmente, o litoral norte do estado de São Paulo, cujas cidades mais próximas – Caraguatatuba e Ubatuba – estão a cerca de 180 quilômetros de Paraisópolis. Mas isso vai mudar, porque a primeira opção de praia para os paraisopolitanos passará a ser a própria cidade deles, que terá uma praia.
Essa afirmação Paraisópolis terá uma praia. não é mais um boato sem fundamento como os muitos que se espalham por cidades pequenas. Na contramão dos boatos, essa é uma afirmação embasada rigorosamente na ciência. Pesquisadores da renomada Academia de Ciências da União-América estudaram durante uma década a geografia do município e chegaram a essa conclusão.
A equipe de geólogos foi chefiada pelo professor Dantim Breston, um cientista com alta credibilidade internacional, visto que as suas previsões de acontecimentos naturais de impacto, principalmente no ambiente, e que são feitas com base em estudos, têm se concretizado. São dele, por exemplo, as previsões de desaparecimento do Monte Imborzia e de separação da cadeia rochosa Platiçuá, ambos na América Central.
Segundo Breston, Paraisópolis é um caso muito peculiar. São três elementos característicos da cidade que estão juntos numa equação geográfica, tendo como resultado a formação de uma praia de interior. Os elementos são o Pico do Machadão, a represa do Brejo Grande e o vento.
A mais ou menos 1500 metros de altitude, o pico do Machadão está na borda da zona urbana e a represa do Brejo Grande é vizinha deste pico, sendo considerada o lago artificial mais alto do país. Para quem está na cidade, é como se a lagoa estivesse atrás do pico. Já o vento é um morador do município durante todo o ano. Tanto é que um dos nomes da cidade já foi São José da Ventania. E é ele, o vento, o personagem principal desse processo, já que, segundo o professor Dantim, sem ele não haveria a formação dessa praia.
Foram dez anos ininterruptos de estudo, coletando dados como a velocidade do vento no Pico do Machadão e o desgaste da rocha neste mesmo local. Com o passar dos anos, a velocidade do vento tem aumentado, causando, cada vez mais, a degradação da rocha. Mas a erosão do pico não é apenas eólica. Há também outros agentes de degradação, como a chuva ácida e os microorganismos, e ambos também estão numa curva crescente, como a pesquisa comprovou.
A rocha vai se decompondo em minúsculas partículas, que são levadas pelo vento e se depositam, principalmente, nas margens da cidade. Com o vento cada vez mais forte e a rocha cada vez mais fina, o resultado é que a represa, também movimentada pelo vento, está avançando cada vez mais, e avançará até o ponto em que a rocha não será um obstáculo para segurá-la e ela transbordará. Com isso, a cidade terá areia, originária da erosão da rocha que forma o Pico do Machadão, e água, oriunda do derramamento da represa do Brejo Grande, formando um fenômeno inédito, batizado pelos cientistas de Praia Paraíso.

    Vista da paisagem de Paraisópolis já sem o Pico do Machadão.


/-\|\||)/-\|_/-\(,)|_|||\/| ANDRÉ



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foto
30 de outubro de 2011
Paraisópolis/MG
© andandaz®


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